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O poderio econômico britânico no século
XIX ganhou o mundo e, certamente, ajudou a difundir o tênis, inclusive
no Brasil, onde chegou pelas mãos dos técnicos da Light and
Power (energia elétrica) e da São Paulo Railway (estradas
de ferro), que iniciaram o processo de urbanização dos grandes
centros, como São Paulo e Rio de Janeiro.
No Brasil, esse registro tem lugar em Niterói, Rio de Janeiro, em
1888. Além dos diplomatas, os pioneiros eram representantes de firmas
de navegação e engenheiros que vieram construir nossas ferrovias.
O primeiro clube brasileiro que começou a prática foi Club
Blitz de Ciclismo, fundado no dia 15 de outubro de 1898, em Porto Alegre,
no Rio Grande do Sul. Já em São Paulo, as primeiras quadras
de tênis foram construídas em 1892, no São Paulo Athletic
Club, fundado pelos ingleses. Mas o esporte no país só era
praticado como lazer e convívio social.
O primeiro torneio só aconteceu em 1904. Foi um interclubes envolvendo
o São Paulo, o Tennis Club de Santos e o Paulistano.
Os torneios "nacionais" eram jogados entre os Estados de São
Paulo e do Rio de Janeiro, já que o acesso de tenistas de outros
estados só era possível através de via fluvial. Em
1913, três tenistas brasileiros promoveriam o primeiro campeonato
estadual. Depois de cinco consecutivas conquistas dos ingleses, o Brasil
teve seu primeiro campeão do Estado de São Paulo: Maercio
Munhoz, do Paulistano, que em 1930 fundaria a Sociedade Harmonia de Tênis.
Nos últimos anos da década de 20, o jogador Nélson
Cruz era o principal destaque. Neste período, os clubes Germânia
(Pinheiros), Paulistano, São Paulo Athletic, Tietê e Espéria
fundaram, em 1924, a Federação Paulista de Tênis, sendo
que na década de 30 já tinha um número recorde de 23
clubes filiados.
Cruz e Ricardo Pernambucano foram os primeiros brasileiros a participar
da Copa Davis, que surgiu em 1900. A estréia aconteceu em 1932. Depois
se destacou Alcides Procópio, que se tornou o primeiro brasileiro
a participar do torneio de Wimbledon, na Inglaterra, em 1938. Ele também
ganhou o primeiro título oficial de campeão brasileiro de
simples, em 1943, derrotando seu principal rival na época, Maneco
Fernandes, do Paulistano.
No Rio de Janeiro, no começo do século, em 1902, foi fundado
o Clube Fluminense e, em 1916, nasceu o Country Club do Rio de Janeiro,
que teve como expoentes Ronald Barnes e Jorge Paulo Lemman.
Até o ano de 1955, o tênis brasileiro era membro, juntamente
com o futebol, basquete, vôlei, esgrima, vela etc, da Confederação
Brasileira de Desporto (CBD), sendo o futebol o carro-chefe da entidade.
O futebol recebia parte do leão e as migalhas eram distribuídas
aos demais esportes. No campeonato Infanto-juvenil de Santos, em 1955, teve
início o movimento de emancipação, que aconteceu com
a fundação da Confederação Brasileira de Tênis
no dia 19 de novembro de 1955. O "Diário Oficial" publicou
no dia 8 de março de 1956 o Decreto de Nº 38.759 do presidente
Juscelino Kubitschek sobre a criação da nova entidade. O primeiro
presidente foi Leoberto Leal.
Nessa metade de século, surge uma terceira força no tênis
brasileiro junto com os paulistas e cariocas: os gaúchos.
Pelos paulistas, nasceu a maior estrela do tênis brasileiro e mundial:
Maria Esther Bueno, desfilando nas quadras do mundo a graça e a beleza
do seu jogo. Nascida em São Paulo, no dia 11 de outubro de 1939,
Estherzinha foi tricampeã em Wimbledon (59, 60, e 64) e tetracampeã
no US Open (59, 63, 64 e 66). Foi número um do mundo em 59, 60, 64
e 66. Simplesmente tem um total de 589 títulos internacionais na
carreira.
O sul dava o maior tenista de nossa história até o surgimento
de Gustavo Kuerten. Canhoto, Thomaz Koch, nasceu no dia 11 de maio de 1945,
filho de uma família de esportistas. Em 1963, foi considerado o melhor
tenista de 18 anos do mundo, quando alcançou a semifinal de Forest
Hills, o atual US Open. Juntamente com Édson Mandarino, formou uma
das melhores duplas do mundo, que no ano de 1966 chegou a seu ápice.
Nos anos 70, o tênis brasileiro ainda vivia com o brilho de Koch,
mas surgia no cenário mundial Carlos Alberto Kirmayr, que participou
da equipe brasileira da Davis por mais de dez anos. Esteve entre os 50 melhores
tenistas do mundo, chegando ao 31º lugar do ranking da ATP no começo
dos anos 80. Koch chegou a ser 24º colocado no final dos anos 60.
No feminino, a baiana Patrícia Medrado foi nossa melhor tenista com
a aposentadoria precoce de Estherzinha, já que no início de
70 ela deixou as quadras devido a uma tendinite no cotovelo.
No masculino, já no final da década de 80, o paulista Luiz
Mattar foi o principal destaque. Junto com Cássio Motta, Fernando
Roese e, depois, Jaime Oncins, formaram uma das equipes brasileiras mais
fortes da Copa Davis, chegando à semifinal do grupo mundial em 92.
Já no feminino, a gaúcha Niége Dias foi a última
a colocar o tênis brasileiro feminino no cenário mundial, já
que chegou a estar entre as 30 melhores do mundo.
Em 1996, o tênis brasileiro começou um novo capítulo
com o catarinense Gustavo Kuerten. O até então juvenil, alto
e desengonçado, subia rapidamente no ranking mundial e surpreendeu
o mundo quando levantou a taça de Roland Garros em 1997.
No ano seguinte, sentiu a pressão e não chegou a repetir suas
performances. Mas em 1999, mais maduro, voltou a subir e, em 2000, levantou
pela segunda vez o título de Roland Garros. Com todo esse talento
e sucesso, alguns críticos ainda insistiam no fato de que faltava
ao brasileiro convencer nos pisos rápidos, já que não
tinha nenhum título. Em Indianápolis, ele faturou o primeiro
título nesta quadra e, para calar de vez a boca de seus críticos,
no final de 2000, conquistou o título do Masters de Lisboa, ganhando
no carpete dos norte-americanos Pete Sampras e Andre Agassi. No masculino,
Guga escreveu um capítulo cheio de glórias.